RESUMO
– LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO (MAGDA SOARES)
Magda Soares é professora
Titular Emerita da Faculdade de Educação da UFMG – Universidade Federal de
Minas Gerais. Pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita.
Graduada em Letras, doutora e livre-docente em Educação. É autora de vários
livros. Também organizou o dossiê sobre letramento, publicado no periódico
Educação e Sociedade, no.81 de dezembro de 2002. Seu objetivo é defender a
especificidade e a indissociabilidade desses dois processos, tanto na
perspectiva teórica quanto pratica pedagógica.
O
termo letramento surgiu no Brasil em meados dos anos de 1980. Numa perspectiva histórica,
fala sobre a invenção do termo no nível de mundo e de Brasil, para distinguir
os denominados fenômenos da alfabetização. As praticas sociais de leitura e de
escrita nesse momento histórico, emergem como questão fundamental em sociedades
distanciadas geograficamente, socioeconomicamente e culturalmente, o contexto e
as causas dessa emersão são essencialmente diferentes em países em
desenvolvimento.
Nos
países desenvolvidos, as práticas sócias de leitura e escrita mostra que a
população, embora alfabetizada, não dominava as habilidades de leitura e de
escrita necessárias para uma participação em praticas sociais.
A
partir de 1940 o Censo declara que, aquele que já tinha capacidade de escrever
o próprio nome era considerado alfabetizado. Mas ao decorrer desses anos
ocorreram algumas mudanças no conceito de alfabetização. Pelo critério de anos
de escolarização, em função dos quais se caracteriza o nível de alfabetização
funcional da população, ficando implícito nesse critério que, após alguns anos
de aprendizagem escolar, o individuo terá não só aprendido a ler e escrever,
mas também a fazer uso da leitura e da escrita, verifica-se uma progressiva,
embora cautelosa, extensão do conceito alfabetização e letramento.
No
Brasil, os conceitos de alfabetização e letramento se mesclam, e frequentemente
se confundem. Essa discussão surge sempre enraizada no conceito de
alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação, a uma inadequada e
inconveniente fusão dos dois processos, com prevalência do conceito letramento.
Entretanto os dois conceitos
necessitam de decodificação do código escrito, porem para o individuo ser
considerado letrado, ele necessita da compreensão e contextualização.
Por
tanto alfabetização é saber ler e escrever e letramento é saber dominar com
competências e habilidades a leitura e a escrita, isto é, fazer uso da leitura
e da escrita.
Magda
Soares também aponta a reorganização do sistema de ciclos como sendo uma das
causas do fracasso na aprendizagem, que significa a progressiva perda de
especificidade do processo de alfabetização que parece vir ocorrendo nas
escolas brasileiras ao longo das duas ultimas décadas.
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